Eu atarefada com um evento que minha empresa estava a realizar, sem muita disponibilidade, mas naquele dia o universo como sempre conspirou a meu favor. Consegui uma carona para poder estar no local indicado na hora exata.
Eu havia passado o dia todo fora, já sabia que isso iria ocorrer, então levei uma troca de roupa, mas como eu não raciocinava direito, esqueci o principal, a toalha de banho a calcinha. Me virei como dava.
Ela me liga, pergunta onde estou, diz que está passando por lá.
Eu realmente nem lembrei de perguntar com qual carro seria, então fiquei no portão a esperar.
Lembro-me de ter nas mãos um jornal, e que o folheava tentando disfarçar a insegurança.
Enfim, um carro parado do outro lado, abaixa-se a vidro e ela pronuncia meu nome.
Quando entrei não sabia o que dizer, o que fazer.
Hoje é engraçado de lembrar, as minhas amigas até tiram sarro de mim, porque sabem que sentei tão encolhida no banco, grudada na porta, feito um tatu bola, que quando se sente acuado ele se fecha.
Ela não ficava atrás. Agia meio por impulso. Sem muito a dizer.
Paramos o carro em um local qualquer, e ela então me diz: “Bom, você queria saber sobre mim, vou te contar o que faço...” e assim começou a discursar sobre sua vida, sua profissão, seu trabalho.
Em minha mente só passava as frases opostas e confusas do papo virtual da noite anterior. Eu pensava: “ mas e o beijo que ela disse que me daria?” e ao mesmo tempo eu lembrava dela dizendo “eu sei que você não faria nada, pois se o fizesse, nossa amizade acaba ali”, e aqueles minutos foram os mais demorados da minha vida.
Não resisti e a pedi um abraço. Ela encostou-se a mim, em meu peito. Creio que ela ouviu as batidas do meu coração, e sentiu que minha respiração estava descompassada, pois se afastou numa fração de segundos e me disse: “pára de respirar assim!”.
Um pouco mais conversamos, e eu novamente avancei o sinal, pedindo um outro abraço, ela me responde calmamente, com um sorriso lindo, ah! Nesse momento eu perdi o chão, lembrei-me do quanto eu apreciava esse sorriso, e do quanto eu sentia falta de vê-lo, e nesse sorriso ela diz: “preciso beber mais um pouco”.
Quando este 2º abraço surgiu, ela ali novamente em meu peito, os céus se fizeram ouvir, provando que propiciavam um momento mágico, pois surgiu uma chuva deliciosa, e ao ela encostar em mim, não sei precisar quem agiu antes, creio que foi ao mesmo tempo.
Nossos lábios se encontraram!
Sobrava emoção. Faltava palavra.
Senti toda minha vida florescer. Todo carinho do mundo invadia aquele carro. Parecia que tudo ao redor antes tivesse apenas as cores preto e branco, pois após aquele beijo eu via tudo colorido, como se nunca tivesse tido a chance de ver as cores.
Sensação única, que enche meu peito nesse instante ao relembrar como tudo aconteceu.
Suspiro.
Eu sabia que ali nascia um amor pra vida toda, embora as conseqüências, e o tempo seriam uma tortura. Mas eu a amava, e não sabia como não demonstrar aquilo. Ela não podia se apaixonar, sua vida era diferente. Seus projetos opostos a mim. Sua vida já era formada, mas não iria adiantar, se tivesse que ser seria. Afinal foram tantos anos aguardando sem mesmo saber que era por ela que eu sempre esperei.



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